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domingo, 29 de agosto de 2010

Mitos 2012: Não haverá Planeta X

    Tendo em vista os diversos alertas e notícias falsas sobre tragédias a ocorrer no ano de 2012  alegando o  suposto ‘fim do calendário Maia‘, estamos postando uma série de artigos para desmistificar esses cenários apocalípticos impossíveis. Esse é o terceiro artigo que fala sobre o suposto Planeta X que supostamente se aproximará perigosamente da Terra em 2012 e provocará o ‘fim do mundo.
2012: No Planet X (2012: Não haverá Planeta X)

   Aparentemente, o Planeta X (também conhecido como Nibiru) foi observado pelos astrônomos no princípio dos anos 80, nos confins mais remotos do Sistema Solar. O tal planeta tem sido seguido por observatórios infravermelhos, foi visto rondando pelo Cinturão de Kuiper e agora acelerando justamente em nossa direção e entrará no Sistema Solar interior em 2012. Então, o que isso quer dizer para nós? Bem, os efeitos de aproximação do Planeta X sobre nosso planeta serão bíblicos e mais ainda, esses efeitos estão sendo sentidos desde agora. Milhões, ou até mesmo bilhões de pessoas morrerão, o aquecimento global vai aumentar, terremotos, saques, fome, guerras, colapso social, incluindo explosões solares assassinas, todas essas desgraças serão causadas por Nibiru quando ele passar através do núcleo do Sistema Solar. Tudo isto irá ocorrer em 2012, e devemos começar a nos preparar para nossa extinção desde já…
Como já se investigou em artigo anterior, “2012: Não Haverá o ‘fim do mundo’“, tem-se dado grande importância para o suposto evento chamado “o final do calendário Maia de Contagem Longa“. De acordo com este calendário e mitos Maias, algo ocorrerá em 21 de dezembro de 2012. Agora, os apocalípticos que apóiam o Planeta X parecem ter calculado que seu hipotético e letal planeta viajará em uma excêntrica órbita para causar um caos gravitacional na Terra, causando danos ambientais, econômicos, geológicos e sociais e matando a uma grande parte da vida terrestre… e tudo isso tem data marcada: 2012.
Sinto muito, mas os “fatos” que estão por trás do mito do Planeta X/Nibiru simplesmente não têm o menor sentido. Então não se preocupe, o Planeta X não baterá em nossa porta em 2012.
Explicarei a seguir as razões…


Nibiru e o Planeta X

Em 1843, John Couch Adams (um matemático e astrônomo britânico) estudou as perturbações orbitais de Urano e deduziu através das interações gravitacionais que deveria existir um oitavo planeta após Urano, perturbando sua órbita. Isto levou a descoberta de Netuno, orbitando a uma distância de 30 UA do Sol. Tem havido diversas ocasiões nas quais este método tem sido usado para deduzir a existência de outros corpos no Sistema Solar antes que fossem vistos de forma direta através de telescópios.
Netuno, por sua vez, também experimentava perturbações orbitais, mas com a descoberta de Plutão em 1930, pensou-se que o bem denominado “Planeta X” havia sido finalmente descoberto. Desgraçadamente, a massa de Plutão era diminuta e quando se analisou a órbita de Caronte (lua de Plutão), verificou-se que a massa do sistema Plutão-Caronte era demasiada pequena para afetar consistentemente a órbita de Netuno. A busca do Planeta X prosseguiu…
Depois de anos de especulação e pesquisa histórica, acreditava-se que um grande objeto alvo da busca contínua dos astrônomos era um grande planeta ou uma pequena estrela, possivelmente uma estrela companheira do nosso Sol (tornando assim o Sistema Solar um sistema binário). O nome “Nibiru” foi desenterrado pelo autor Zecharia Sitchin, na suposição da possível intervenção de extraterrestres nos inícios da história da humanidade. Nibiru é um hipotético planeta procedente da cultura suméria (os sumérios existiram ao redor de 6.000 a.C até 3.000 a.C, antecessores dos babilônios, que viveram onde atualmente se situa o Iraque). Há pobres evidências arqueológicas a sugerir que este mítico planeta tem algo que ver com o Planeta X. Mas dada esta duvidosa conexão, agora os profetas do apocalipse pensam que o Planeta X e Nibiru são a mesma coisa, um antigo corpo astronômico que agora vai retornar depois de uma longa órbita nos confins de nosso Sistema Solar.
OK, se então a conexão Nibiru/Planeta X pode ser questionável, existe por outro lado alguma evidência sólida sobre a presença de algum possível candidato a Planeta X moderno?

foto

Observações infravermelhas = Planeta X ?

Há muita ênfase na “alegada descoberta” em 1983 que destaca um misterioso corpo celeste detectado pelo “Infrared Astronomical Satellite” da NASA (IRAS) nos confins do Sistema Solar, a aproximadamente 540 UA de distância do Sol. Naturalmente, na ocasião, as mídias de comunicação de todo o mundo ficaram entusiasmadas por tal descoberta e começaram a gerar rumores, espalhando que talvez esse objeto seja o procurado Planeta X (o artigo mais popular que defendeu essa tese foi o do Washington Post, publicado em 31 de dezembro de 1983 e intitulado “Descoberto um misterioso corpo celeste” – “Mystery Heavenly Body Discovered“). Na realidade, os astrônomos não estavam confiantes de que era realmente o misterioso corpo infravermelho (a pista está na palavra “misterioso”). Os informes originais das mídias postulavam que poderia ser um cometa de longo período, ou um planeta, ou uma galáxia jovem, ou uma proto-estrela (ou uma anã marrom). Tão logo que se mencionou a última possibilidade, tal rumor se converteu na “descoberta” de que o Planeta X era na realidade uma anã marrom que orbitava nos confins mais distantes do Sistema Solar.
“Tão misterioso é o objeto que os astrônomos não sabem se é um planeta, um cometa gigante, uma “proto-estrela” próxima que nunca teve calor suficiente para converter-se em estrela, uma galáxia distante tão jovem que ainda está em processo de formar suas primeiras estrelas ou uma galáxia envolta em pó que bloqueia a luz gerada por suas estrelas”. – Thomas O’Toole, Escritor associado ao Washington Post, 30 de dezembro de 1983 (conforme texto do site Planet X and Pole Shift).
Então, de onde obteve essa história o Washington Post? A história foi publicada em resposta ao artigo de pesquisa titulado Unidentified point sources in the IRAS minisurvey (”Fontes pontuais não-identificadas na pesquisa do IRAS” por Houck et al publicado em Astrophysical Journal Letters, 278:L63, 1984). O Dr. Gerry Neugebauer, co-investigador do projeto IRAS, foi entrevistado e afirmou categoricamente que o que IRAS viu não sugeria que houvesse um objeto aproximando-se da Terra. Lendo esta interessante pesquisa, fiquei especialmente atraído pela conclusão do artigo científico:
“Um número de identificações candidatas tem sido consideradas, incluindo objetos extragalácticos e galácticos próximos ao Sistema Solar. Posteriores observações em infravermelho e outras faixas de freqüência de onda podem proporcionar informação adicional para apoiar alguma de estas conjeturas, ou talvez, estes objetos irão necessitar de interpretações completamente distintas”. – Houck et al, Astrophysical Journal Letters, 278:L63, 1984.
Embora estas observações publicadas do IRAS terem mencionado vagamente objetos misteriosos, nessa ocasião não havia nenhuma indicação de que existisse um objeto (muito menos uma anã marrom) aproximando-se de nós. Mas os rumores já haviam começado a fluir. Quando se publicaram posteriores artigos em 1985 (”Unidentified IRAS sources – Ultrahigh-luminosity galaxies“, Houck et al., 1985) e 1987 (The IRAS View of the Extragalactic Sky, Soifer et o., 1987), já haviam bem poucos interessados em seus argumentos esclarecedores. De acordo com estas novas publicações, a maioria das observações do IRAS no artigo de 1984 eram na realidade jovens galáxias ultra-luminosas e uma delas era uma estrutura filamentosa conhecida como “cirrus infravermelho” flutuando no espaço intergaláctico. O IRAS, de fato, nunca observou nenhum corpo astronômico nos confins do Sistema Solar.

Perturbações orbitais = Planeta X?

Além da “descoberta de 1983″ da “anã marromPlaneta X, a afirmação de 1992 sobre o Planet X era algo assim: “Desvios inexplicáveis nas órbitas de Urano e Netuno apontam para um grande corpo fora do solar sistema solar com 4 e 8 vezes a massa da Terra, em uma órbita muito inclinada, há 11 bilhões de quilômetros do Sol”, – texto de uma fonte da NASA não citada no vídeo “Planet X Forecast and 2012 Survival Guide” (”Previsão e Guia de Sobrevivência para a vinda do Planeta X”).

foto cinturão de kuiper

Apoiando-se na descoberta de planetas usando as medidas de perturbação orbital, os defensores do Planeta X apontam para esse tal alegado anúncio da NASA em 1992. Nesse cenário foram apuradas medidas indiretas de um planeta a aproximadamente 11 bilhões de quilômetros da Terra. Desgraçadamente, não se encontrou a fonte original desta afirmação para se fazer a confrontação. A única grande descoberta que a NASA anunciou sobre este tema em 1992 foi o descoberta do primeiro grande objeto trans-netuniano (TNO) denominado 1992 QB1 (os detalhes da descoberta deste objeto da classe cubewano estão detalhados aqui na transcrição original do anúncio). 1992 QB1 possui um diâmetro de 200 km e está confinado no Cinturão de Kuiper, uma zona de planetas anões (onde reside Plutão) e asteróides entre 30 UA e 55 UA, além da órbita de Netuno. Alguns destes corpos (exemplo: Plutão) cruzam eventualmente o caminho da órbita de Netuno e são por isso designados como TNO. Estes TNOs não proporcionam nenhuma ameaça contra a Terra (muito menos eles abandonarão o Cinturão de Kuiper para fazer-nos uma visita em 2012).
Desde então, qualquer perturbação orbital de Netuno tem sido associada a erros observacionais e não se têm observado quaisquer problemas com as apurações da órbita desse planeta desde então… pelo que parece não há nenhum objeto óbvio maior que qualquer dos que existem no Cinturão de Kuiper ali fora. Ainda assim, para manter uma mente aberta, vamos supor que poderiam até haver corpos por descobrir (isso poderia explicar por que há uma queda na concentração tão marcante dos objetos do Cinturão de Kuiper na “Falésia de Kuiper”), mas não há provas de que um corpo massivo está se aproximando desde a vizinhança do Cinturão de Kuiper. Além disso a estranha anomalia da Pioneer a qual as sondas Pioneer e Voyager estão experimentando também não se pode atribuir ao Planeta X. Esta anomalia parece ser uma aceleração até o Sol, se houvesse um planeta massivo ali fora, este provocaria algum efeito gravitacional contrário…


4 a 8 massas terrestres = uma anã marrom!?!? Tem que ser o Planeta X!

Provavelmente a inconsistência mais evidente na hipótese do Planeta X é a afirmação dos defensores do Planeta X de que o objeto de 1984 de IRAS e o corpo de 1992 são o mesmo. Como anunciado em diversas páginas da web e vídeos on-line sobre o Planeta X, a observação de 1984 de IRAS viu o Planeta X a 80 bilhões de quilômetros da Terra. O “alegado anúncio” da NASA de 1992 colocou o Planeta X a uns 11 bilhões de quilômetros da Terra. Portanto, seguindo a lógica, o Planeta X havia viajado 69 bilhões de quilômetros ao longo de apenas oito anos (de 1984 a 1992). Baseado então em alguns duvidosos cálculos matemáticos, o Planeta X é então esperado que alcance o centro do Sistema Solar em 2012 (embora muitos acreditassem que deveria haver chegado em 2003… obviamente estavam equivocados em sua previsão).
Bom, penso assim que nós estamos mordendo nossa língua agora. Para começar, para que o objeto de 1984 fosse exatamente o mesmo que o objeto de 1992, certamente estes corpos deveriam ter a mesma massa. Se o Planeta X era de fato uma anã marrom (como as observações do IRAS nos levou a supor), como é possível tal objeto pesar tão somente de 4 a 8 massas terrestres oito anos depois? As anãs marrons têm uma massa na faixa de 15-80 vezes a massa de Júpiter. Dado que Júpiter tem aproximadamente 318 massas terrestres, o objeto que se dirige até nós deveria ter uma massa de entre 4.770 e 25.440 massas terrestres, não é? Dessa forma, vou ser taxativo aqui e concluir que os objetos de 1984 e de 1992 (se é que existiram alguma vez tais objetos) nunca poderiam ser os mesmos. A diferença de massas entre esses alegados objetos é abismal…

Se não há provas que apóiem o Planeta X, deve(?) então haver uma conspiração dos governos

Parece agora que é bem fácil alegar dúvidas sobre a pretensa teoria “científica” básica que está por trás do suposto Planeta X. Tampouco vejo razões para estender o assunto aqui para discutir as razões históricas (extinções massivas, atividade vulcânica, terremotos etc.) sobre as quais os profetas do apocalipse acreditam que justificam o tal Planeta X. Se não há nenhum planeta ofensor lá fora com uma massa significativa, como poderia ser Nibiru uma ameaça para nós em 2012?
Os profetas do apocalipse tentarão nos convencer que há uma conspiração global dos governos internacionais para ocultar os fatos. A NASA estaria implicada neste acobertamento, dada a falta de evidências sobre o Planeta X. Em minha opinião, simplesmente a falta de provas não indica uma conspiração para ocultar a verdade do público. Por que acreditar que os governos ocultariam uma “descoberta” tão histórica e formidável como um planeta apocalíptico aproximando-se o Sistema Solar interior? Ah! É para evitar o pânico nas massas e seguir com suas próprias agendas secretas (obviamente).
Como resultado, este é o único ponto de apoio atrás do mito do Planeta X. Quando os confrontamos com os fatos científicos, os defensores do Planeta X respondem “… os governos nos enviam desinformação para encobrir a verdade sobre as observações de Nibiru“. Embora eu até aprecie eventualmente uma bem construída tese de teoria da conspiração, não apoiarei nada em nome do Planeta X. Se a ciência básica que nos tem levado a concluir que a tese da existência do Planeta X está errada, parece então um argumento pobre dizer “mas foi o governo que fez isso”.
Assim, a história que o Planeta X chegará em 2012 é, em minha opinião, uma total estupidez (mas ela ajuda a vender livros e DVDs, criados pelos profetas do apocalipse, a gente aterrorizada). Desta forma, Nibiru seguirá tão somente nos domínios dos mitos sumérios.

domingo, 1 de agosto de 2010

Mitos 2012 - Fim do Mundo

Não Haverá o ‘Fim do Mundo’

    Tendo em vista os diversos alertas e notícias falsas sobre tragédias a ocorrer no ano de 2012 alegando o suposto ‘fim do calendário Maia‘, estamos postando uma série de artigos para desmistificar esses cenários apocalípticos impossíveis. Esse é o quarto artigo que fala sobre o noticiado ‘Fim do Mundo‘ previsto pelos falsos profetas do apocalipse a ocorrer em 21 de dezembro de 2012.

Não haverá o 'Fim do Mundo' em 2012!


    Aparentemente o mundo terminará em 21 de dezembro de 2012. Sim, você leu certo, de alguma forma ou maneira, a Terra (ou pelo menos uma grande parte dos humanos do planeta) deixarão de existir. Pare já de planejar sua carreira, não se preocupe mais em comprar uma nova casa e assegure-se de que irá passar os últimos anos de sua vida fazendo algo que sempre desejou fazer, mas que nunca teve tempo para se dedicar. Agora, pelo menos, teremos algum tempo, quatro anos, para desfrutamos nossas vidas por nós mesmos antes… do final fatídico.

    Mas o que significa esta conversa maluca? Já temos escutado tantas previsões do ‘fim do mundo‘ antes, e continuamos por aqui, por que afinal é tão importante o tal ano de 2012? Temos ouvido que o calendário Maia terminará no final do ano 2012, desatando todo tipo de razões religiosas, científicas, astrológicas e históricas uma vez que este calendário prevê o final da vida como a conhecemos. A Profecia Maia ganhou força e parece estar preocupando a gente em todas as áreas da sociedade. Esqueça Nostradamus, esqueça o problema do bug do milênio, esqueça a crise financeira global, este evento será descomunal e muitos fiéis crêem que isto vai acontecer de verdade. Pode até ser que o Planeta X esteja vindo por aí…

    No entanto, para todos estes seguidores da Profecia Maia de 2012, tenho más notícias. Não haverá o fim do mundo em 2012, e aqui estão as razões…

O calendário Maia

    Então o que é o calendário Maia? O calendário foi construído por uma civilização avançada denominada Maia em 250-900 d.C. As ruínas e sítios arqueológicos do império Maia se estendem ao longo da maior parte dos estados sulinos do México, chegando até Guatemala, Belize, El Salvador e parte de Honduras, como podemos ver no mapa abaixo.

A civilização Maia dominou grande parte a América Central pré-colombiana


    A gente que vivia na sociedade Maia exibia habilidades de escrita muito avançadas e tinham uma surpreendente capacidade para construir cidades e planificação urbana. Os Maias são provavelmente mais famosos por suas pirâmides e outros intrincados e enormes edifícios. Os Maias tiveram um enorme impacto na cultura da América Central, não só dentro de sua civilização, mas também com as outras populações indígenas da região. Ainda vive um significativo número de Maias na atualidade, continuando com suas tradições ancestrais.

    Os Maias usaram muitos calendários distintos e viam o tempo como um conjunto de ciclos espirituais. Embora os calendários tivessem usos práticos, tais como em atividades sociais, agricultura, comerciais e administrativas, havia um elemento religioso muito forte. Cada dia teria um espírito patronal, o que significava que cada dia tinha um uso específico. Isto contrasta muito com nosso moderno calendário gregoriano o qual fixa principalmente as datas sociais, econômicas e administrativas.

Atmosfera de Vênus, sofrendo erosão pelo vento Solar

    A maioria dos calendários Maias era de duração curta. O calendário de Tzolk’in durava 260 dias e o de Haab’ aproximadamente o ano solar de 365 dias. Os Maias então combinaram ambos, Tzolk’in com Haab’ para formar o “Calendário Circular”, um ciclo durava 52 Haab’s (aproximadamente 52 anos, isto é, aproximadamente a duração de uma geração). Dentro do Calendário Circular havia uma trezena (ciclos de 13 dias) e uma vintena (ciclos de 20 dias). Obviamente, este sistema seria só de uso quando se levassem em conta os 18.980 dias únicos ao longo de 52 anos. Em adição a estes sistemas, os Maias também tinham o “Ciclo de Vênus“. Sendo os Maias atentos e precisos astrônomos, eles formaram um calendário baseado na localização de Vênus no céu noturno. Também é possível que tenham feito o mesmo com outros planetas do Sistema Solar.

    Usar o Calendário Circular é genial se você só quer lembrar a data de seu adversário, os períodos e datas religiosas significativas, mas, e para registrar a história? Não havia forma de registrar datas mais velhas que 52 anos.

O final da Contagem Longa = o final da Terra?

    Os Maias tinham uma solução para isso. Usando um método inovador, foram capazes de estender o Calendário Circular de 52 anos. Até esse ponto, o calendário Maia pode até parecer um pouco arcaico – afinal o mesmo era baseado em crenças religiosas, o ciclo menstrual, cálculos matemáticos usando os números 13 e 20 como unidades base e uma forte mistura de mitologia astrológica. A única correlação principal com o calendário moderno é o Haab’ que se sabe que tinha os 365 dias do ano solar (não está claro sua os Maias tinham em conta os anos bissextos). A resposta a um calendário mais longo poderia ser encontrada na “Contagem Longa”, um calendário que durava 5126 anos.

    Estou realmente impressionado com este sistema de datação. Para começar, é numericamente previsível e pode marcar com precisão as datas históricas. Todavia, depende de uma unidade base de 20 (os calendários modernos usam a unidade na base 10). Então, como isto funcionava?

    O ano base da Contagem Longa Maia começa no “0.0.0.0.0″. Cada zero vai de 0 a 19 e cada um representa uma conta do dias Maias. Assim, por exemplo, o primeiro dia na Contagem Longa se denota como 0.0.0.0.1. no dia 19 teremos 0.0.0.0.19, no dia 20 subimos um nível e teremos 0.0.0.1.0. A contagem continua até o 0.0.1.0.0 (aproximadamente um ano), 0.1.0.0.0 (aproximadamente 20 anos) e 1.0.0.0.0 (unos 400 anos). Por tanto, se tomamos uma data arbitraria de 2.10.12.7.1, isto representa uma data Maia de aproximadamente 1012 anos, 7 meses e 1 dia.

Ruina Maia em Palenque

    Tudo isto é muito interessante, mas o que isso tem que ver com o fim do mundo? A Profecia Maia está completamente baseada na suposição de que algo de mal irá suceder quando o calendário da Contagem Longa Maia se acabe. Os expertos estão divididos sobre quando se acaba a Contagem Longa, mas como os Maias usaram números 13 e 20 como sistemas numéricos, o último dia que poderia ter lugar seria o 13.0.0.0.0. Quando ocorrerá isto? Bem, 13.0.0.0.0 representa 5126 anos e a Contagem Longa começa em 0.0.0.0.0, o qual corresponde à data moderna de 11 de agosto de 3114 a.C. Notou o problema? A Contagem Longa Maia finaliza 5126 anos depois, em 21 de dezembro de 2012.

O ‘Fim do Mundo‘?

    Quando alguma coisa termina (até algo tão inocente como um calendário antigo), a gente acaba pensando nas possibilidades mais extremas tal como o fim da nossa civilização. Uma breve varrida pela Internet irá mostrar desde as mais populares até as mais estranhas ou bizarras formas nas quais, com bem pouco pensamento lógico, seremos eliminados da face da Terra. Os arqueólogos e mitólogos, por outro lado, crêem que os Maias previram o início de uma era de iluminação quando chegue o 13.0.0.0.0. Na realidade não há muitas provas que indiquem que chegará o dia do fim do mundo. Se algo foi previsto pelos Maias, foi na verdade algum milagre religioso e não um mau agouro.

    Os mitos abundam até alimentam roteiros de filmes. Parece que o tema da nova produção Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal está baseado no mito Maia de que 13 caveiras de cristal que podem salvar a humanidade da condenação. Este mito apregoa que se as 13 antigas caveiras não se reúnem no momento adequado, a Terra será desviada de seu eixo. Isto poderia ser um grande argumento para filmes de ficção com orçamentos milionários, mas também destaca-se o exagero que desperta, iniciando idéias religiosas, científicas e não científicas de que o mundo está condenado.

Meteoro chocando-se contra Terra

    Algumas das ameaças espaciais mais populares sobre a Terra e a humanidade se concentram nos impactos de meteoritos, buracos negros, o Planeta X destruindo a maior parte de vida, tempestades solares assassinas, explosões de raios gama de galáxias próximas ou supernovas, uma rápida idade do gelo próxima e uma inversão nos pólos magnéticos da Terra. Há muitos rumores contando que estas coisas irão acontecer em 2012 e é surpreendente quantas conseqüências têm gerado na população. Cada uma das “ameaças” acima citadas necessitaria de um artigo específico para mostrar por que não há provas que as apóiem.

    Mas o fato permanece, A Profecia do Dia do Juízo Maia está puramente baseada em um calendário o qual acreditamos que não tenha sido projetado para calcular datas mais além de 2012. Os arqueólogos e astrônomos estudiosos sobre os Maias também têm debatido se a Contagem Longa está desenhada para reiniciar-se a 0.0.0.0.0 depois de 13.0.0.0.0, ou se o calendário simplesmente continua até o 20.0.0.0.0 (aproximadamente 8000 d.C) e logo se reinicia. Como Karl Kruszelnicki escreve brilhantemente:

    “…quando um calendário chega o final de seu ciclo, simplesmente passa para o ciclo seguinte. Em nossa sociedade ocidental cada ano o 31 de dezembro está seguido, não pelo final do mundo, mas pelo dia 1º de Janeiro. Por que o 13.0.0.0.0 no calendário Maia será seguido por o 0.0.0.0.1? – ou pela boa e antiga data de 22 de dezembro de 2012, poucos dias antes do Natal”. – Extrato de “Grandes Momentos da Ciência” do Dr. Karl.

                                                                                                                         Fontes: eternoaprendizes.com




sábado, 31 de julho de 2010

Mitos 2012 - Tempestade Solar Assassina

Não haverá tempestade solar assassina
   

Tempestade Solar

    Tendo em vista os diversos alertas e notícias falsas sobre tragédias a ocorrer no ano de 2012 alegando o suposto ‘fim do calendário Maia‘, estamos postando uma série de artigos para desmistificar esses cenários apocalípticos impossíveis. Esse é o sexto artigo que fala sobre a terrível tempestade Solar assassina prevista pelos profetas do apocalipse a acontecer em 2012.

    Nós poderemos assistir a um descomunal espetáculo de fogos de artifício em 2012. O Sol se aproximará do seu pico no ciclo solar de 11 anos, conhecido como “máximo solar“, então devemos esperar uma grande atividade solar. Algumas previsões colocam o máximo do Ciclo Solar 24 como até mais energético que os últimos máximos solares de 2002 e 2003 (lembra-se das explosões de classe X quebrando recordes em 2003?). Os físicos solares estão entusiasmados com este novo ciclo e novos métodos de previsão têm sido colocados em uso. Deveríamos preocupar-nos?

    Diferentemente dos muitos cenários do apocalipse que apresentamos aqui sobre o final do mundo baseado nas profecias Maias para o ano 2012, na realidade este cenário tem alguma base científica. Além disso, pode eventualmente até existir alguma correlação entre o ciclo solar de 11 anos e os ciclos temporais vistos no calendário Maia. Será que esta antiga civilização conseguiu compreender que os pólos magnéticos do Sol sofrem inversão de polaridade a cada década? Além disso, alguns textos religiosos dizem que o dia do ‘Fim do Mundo‘ implicará em uma grande quantidade de fogo e enxofre. Pelo que parece, a expectativa é que vamos mesmo morrer assados vivos por nossa própria estrela em 21 de dezembro de 2012!

    Antes de passarmos direto para as conclusões sobre esse tema, daremos um passo atrás e vamos meditar sobre tudo isto. Assim como as demais formas nas quais o mundo terminará em 2012, a possibilidade de que o Sol expulse uma descomunal tempestade solar daninha até a Terra tem sido bastante atraente para os profetas do apocalipse. Todavia, olhando para o que realmente ocorre durante um evento de explosões solares dirigidas até nosso planeta, nós constatamos que na verdade a Terra tem estado muito bem protegida da fúria solar. Todavia, alguns satélites artificiais não estarão a salvo…

    A Terra tem evoluído ao longo das eras, por bilhões de anos, rodeada por um ambiente altamente radioativo. O Sol lança constantemente partículas de alta energia, a partir da sua superfície dominada pelo magnetismo, através do vento solar. Durante o máximo solar (quando o Sol está em sua etapa mais ativa no ciclo solar que dura, em média, 11 anos), a Terra pode ter o infortúnio de estar na mira de uma explosão com a energia equivalente a 100 bilhões de vezes a bomba de Hiroshima na II Guerra Mundial. Esta explosão é conhecida como tempestade solar e seus efeitos podem causar alguns problemas aqui na Terra.

    Antes de revermos aqui os efeitos colaterais na Terra, vamos analisar o comportamento do Sol e compreender as razões dele se enfurecer tanto cada 11 anos, nos períodos de “máximo solar“.

O Ciclo Solar


    Primeiro e o mais importante: o Sol tem um ciclo natural de aproximadamente 11 anos (podendo variar ± 2 anos). Durante o tempo de vida de cada ciclo, as linhas de campo magnético do Sol são arrastadas ao redor do corpo solar mediante uma rotação diferenciada no equador solar. Isto significa que o equador solar gira mais rapidamente que os pólos magnéticos. Conforme isto prossegue, o plasma solar arrasta as linhas de campo magnético ao redor do Sol, provocando tensão e acumulando energia (ilustrado na figura acima). Conforme aumenta a energia magnética, formam-se ondas no fluxo magnético, forçando-as mover-se até a superfície. Estas ondas são conhecidas como bolhas coronais, as quais se fazem mais numerosas durante os períodos de pico solar.


    Aqui entram em jogo as manchas solares. Conforme as bolhas coronais continuam surgindo na superfície, as manchas solares aparecem também, situadas na base das bolhas. As bolhas coronais têm o efeito de empurrar as camadas mais quentes da superfície do Sol (a fotosfera e a cromosfera) para os lados, expondo a zona de convecção mais fria (as razões de porque a superfície solar e a atmosfera estão mais quentes que o interior se deve o fenômeno de aquecimento da corona). Conforme a energia magnética se acumula, pode-se esperar que cada vez maior fluxo magnético seja forçado a unir-se. Aqui é onde tem lugar o fenômeno de re-conexão magnética.

    A re-conexão é o gatilho do acionamento de explosões solares de diversos tamanhos. Tal e como já explicado em outro artigo da Universe Today (”Fluxos coronais quentes podem ser a chave para as explosões solares“), as explosões solares variam desde as “nano tempestades” até as “explosões da classe-X” que são os eventos solares mais energéticos. Calcula-se que as maiores explosões solares podem gerar a energia de 100 bilhões de explosões atômicas, mas não deixe que este número o preocupe. Para começar, estas explosões têm lugar na corona baixa, próxima da superfície solar, ou seja, há quase 150 milhões de quilômetros de distância (1 UA – Unidade Astronômica). A Terra não está nem ao menos perto dessas erupções.

    Quando as linhas de campo magnético solar liberam uma enorme quantidade de energia, o plasma solar se acelera e fica confinado dentro do ambiente magnético (o plasma solar é formado de partículas superaquecidas iônicas como prótons, elétrons e alguns elementos leves como os núcleos de Hélio). Quando as partículas do plasma interagem, raios-X podem ser gerados se as condições necessárias estão adequadas, tornando-se possível o evento denominado bremsstrahlung. (O bremsstrahlung tem lugar quando as partículas carregadas interagem, dando como resultado uma emissão de raios-X). Isto pode criar uma tempestade de raios-X (ou rajadas de Raios-X).

Super Tempestade Solar

O problema com as rajadas de raios-X


    O maior problema com uma rajada de raios-X é que temos bem pouco tempo de aviso prévio para detectar quando esse evento irá acontecer, uma vez que os raios-X viajam na velocidade da luz (na imagem acima temos uma rajada que quebrou recordes em 2003). Os raios-X de uma tempestade de classe-X alcançam a Terra em cerca de oito minutos. Quando os raios-X impactam nossa atmosfera, estes são absorvidos pela camada mais externa, conhecida como ionosfera. Como já se pode deduzir por esse nome, esta é uma camada altamente carregada e reativa, repleta de íons (núcleos atômicos e elétrons livres).

    Durante eventos solares tão potentes, os índices de ionização entre os raios-X e os gases atmosféricos se incrementam nas camadas D e E da ionosfera. Isto provoca um aumento súbito na produção de elétrons nestas camadas. Estes elétrons podem causar interferências na passagem das ondas de rádio através da atmosfera, absorvendo os sinais de rádio de onda curta (os da faixa de freqüência alta), bloqueando possivelmente as comunicações globais. Estes eventos são conhecidos como “Perturbações Ionosféricas Súbitas” (SID – “Sudden Ionospheric Disturbances“) e são comuns durante os períodos de alta atividade solar. É interessante apontar que o incremento na densidade de elétrons durante uma SID reforça a propagação das ondas de rádio de Muito Baixa Freqüência (VLF), um fenômeno que os cientistas usam para medir a intensidade dos raios-X que procedem do Sol.

Ejeção de Massa Coronal Solar (CME)

Ejeções da massa coronal?


    As emissões de explosões solares de raios-X são só uma parte da história. Se as condições são adequadas, pode ser produzida uma ejeção de massa coronal (CME – “coronal mass ejection“) na área da tempestade (embora esses fenômenos possam ocorrer de forma independente). As CMEs são mais lentas que os raios-X em sua propagação, mas seus efeitos globais aqui na Terra podem ser mais problemáticos. As CMEs não viajam a velocidade da luz, mas ainda assim viajam bem rápido. As CMEs podem chegar a uma velocidade de 3,2 milhões de km/h, o que significa que podem alcançar-nos em até 48 horas (1 UA ≈ 149,6 milhões de km).

    Aqui é onde se põe grande parte do esforço na previsão do clima espacial. Temos uma legítima frota de naves situadas entre a Terra e o Sol no Ponto de Lagrange Terra-Sol (L1) com sensores a bordo para medir a energia e intensidade do vento solar. Quando uma CME passa através de sua posição, podem-se medir diretamente as partículas energéticas e os campos magnéticos interplanetários (CMI). Uma missão conhecida como Explorador de Composição Avançado (ACE – Advanced Composition Explorer) orbita no ponto de Lagrange L1 e proporciona aos cientistas com 1 hora de antecedência informes sobre a situação da aproximação de uma CME. ACE forma parceria com o Observatório Heliosférico e Solar (SOHO – SOlar and Heliospheric Observatory) e com o Observatório de Relações Solares e Terrestres (STEREO – Solar TErrestrial RElations Observatory). Assim as CMEs podem ser rastreadas desde a corona inferior até o espaço interplanetário, através do ponto L1 até a Terra. Estas missões solares estão trabalhando ativamente juntas para proporcionar as agências espaciais previsões antecipadas sobre uma CME dirigida contra a Terra.

    Então, o que acontece se uma CME alcança a Terra? Para começar, grande parte do impacto depende da configuração magnética do CMI (desde o Sol) e do campo geomagnético da Terra (a magnetosfera). Em geral, se ambos estão alinhados com suas polaridades apontando na mesma direção, é altamente provável que a CME seja repelida pela magnetosfera. Neste caso, a CME se deslizará sobre a Terra, provocando algumas mudanças de pressão e distorção na magnetosfera, mas de qualquer forma a CME será defletida sem maiores problemas. Entretando, se as linhas dos campos magnéticos do CMI e da magnetosfera estão em uma configuração antiparalela (quero dizer: as polaridades magnéticas estão em direções opostas), pode então ocorrer uma re-conexão magnética nas bordas da magnetosfera. Neste evento, o CMI e a magnetosfera se fundem, conectando o campo magnético terrestre com o do Sol. É isto que nos proporciona um dos eventos mais inspiradores da natureza: as auroras polares.

Satélites em Perigo


    Quando o campo magnético de uma CME conecta com o da Terra, são injetadas partículas de alta energia na magnetosfera. Devido à pressão do vento solar, as linhas de campo magnético do Sol se centrarão na Terra, curvando-se atrás do nosso planeta. As partículas injetadas no “lado diurno” serão canalizadas para as regiões polares da Terra interagindo com nossa atmosfera e gerando a luz através das auroras. Durante esta época, o Cinturão de Van Allen ficará “super carregado eletricamente”, criando uma região ao redor da Terra que pode causar problemas tanto aos astronautas desprotegidos como nos satélites sem escudos. Para mais detalhes, leia: “Radiation Sickness, Cellular Damage and Increased Cancer Risk for Long-term Missions to Mars“, “New Transistor Could Side-Step Space Radiation Problem.” e Viagem até Marte? Cuidado com os raios cósmicos!

    Como se não fosse o bastante essa radiação do Cinturão de Van Allen, os satélites poderiam sucumbir-se à ameaça de uma atmosfera em expansão. Como seria de esperar, se o Sol golpear a Terra com raios-X e CMEs, haverá um aquecimento inevitável e uma expansão global da atmosfera, possivelmente invadindo as altitudes orbitais dos satélites. Se os controladores das agências espaciais não ficarem atentos, o efeito de aero frenagem sobre os satélites poderá provocar a sua desaceleração e conseqüente queda. Lembro que o processo de aero frenagem tem sido usado de forma extensiva como uma ferramenta de vôo espacial para frear as naves quando são postas em órbita ao redor de outro planeta. Assim isto terá um efeito adverso sobre os satélites que orbitam a Terra uma vez que uma diminuição imprevista na velocidade orbital poderá provocar a sua reentrada indesejável na atmosfera.

Terra vista do espaço

Também sentimos os efeitos no solo


    Embora os satélites estejam na linha de frente, se ocorrer um poderoso aumento na quantidade de partículas energéticas que entram na atmosfera, poderemos sentir os efeitos adversos aqui sobre a Terra também. Devido à geração de raios-X a partir dos elétrons da ionosfera, algumas formas de comunicação podem entrecortar-se (ou serem eliminadas por completo), mas isto não é tudo que pode acontecer. Nas regiões em latitudes particularmente altas, uma vasta corrente elétrica, conhecida como “electrojet“, pode formar-se na ionosfera graças a estas partículas entrantes, uma vez que uma corrente elétrica advém de um campo magnético. Dependendo da intensidade da tormenta solar, as correntes elétricas podem ser induzidas aqui no solo, sobrecarregando eventualmente as redes elétricas globais. Em 13 de março de 1989, seis milhões de pessoas sofreram um apagão na região de Quebec no Canadá depois de um enorme aumento na atividade solar causado por correntes induzidas no terreno. Quebec ficou paralisada durante nove horas enquanto seus engenheiros trabalhavam na solução do problema.

Erupção estrelar

Pode nosso Sol produzir uma tempestade assassina?
A resposta curta a esta pergunta é “não“.

    A resposta longa para essa questão é um pouco mais elaborada. Embora uma tempestade solar dirigida diretamente contra nós, possa provocar problemas secundários tais como danos nos satélites, lesões em astronautas sem proteção e eventuais apagões, a tempestade em si não é bastante potente para ‘destruir’ a Terra, e certamente, não em 2012. Acrescento que, em futuro distante, quando o Sol comece a esgotar seu hidrogênio do núcleo e se converta em uma gigante vermelha, iremos ter um verdadeiro inferno no planeta Terra, mas isso só ocorrerá dentro de 5 ou mais bilhões de anos. Existe contudo até a probabilidade remota de que várias explosões de classe-X sucessivas sejam lançadas pelo Sol e por pura má sorte uma série de CMEs nos impactem conjuntamente com explosões de raios-X, mas tal nunca será bastante potente como para superar nossa magnetosfera, ionosfera e a grossa atmosfera abaixo que nos protege há bilhões de anos.

    Diferentemente do nosso Sol, que é bem pacato, as explosões solares “assassinas” têm sido observadas em outras estrelas. Em 2006, o observatório Swift da NASA viu a maior tempestade solar jamais observada há 135 anos luz de distância. Com uma liberação de energia estimada em 50 quadrilhões (milhões de trilhões) de bombas atômicas, uma tempestade como a de II Pegasi haveria aniquilado a maior parte da vida na Terra se nosso Sol tivesse disparado tal tormento. Obviamente, nosso Sol não é uma II Pegasi. II Pegasi é uma violenta gigante vermelha com uma companheira binária em uma órbita muito próxima. Acredita-se que a interação gravitacional com sua companheira binária além do fato de que II Pegasi é uma gigante vermelha são as causas desta tempestade energética descomunal.

    Os profetas do apocalipse gostam de apontar o Sol como uma possível fonte assassina para a Terra, mas o fato é que nosso Sol é uma estrela muito estável. Não possui uma binária companheira (como II Pegasi), tem um ciclo conhecido (de aproximadamente 11 anos) e não há provas de que nosso Sol tenha contribuído em nenhuma das extinções massivas no passado com uma enorme tempestade dirigida contra a Terra. Já foram observadas grandes explosões solares (tal como a tempestade de luz branca de Carrington em 1859)… mas a humanidade ainda continua tranqüila por aqui.

    Para esfriar mais ainda o assunto, os físicos solares (em 2008 e 2009) estão surpreendidos pela carência inesperada da atividade solar no início do ciclo solar #24, o que tem levado alguns cientistas a especular que poderíamos estar próximos de um novo mínimo de Maunder e uma “Pequena Idade do Gelo“. Isto está em total oposição com a previsão anterior dos físicos solares da NASA feita em 2006 que estimaram que este ciclo fosse tornar-se extraordinário.

    Isto me leva a concluir que ainda temos um longo caminho a percorrer na previsão das explosões solares. Embora a previsão do clima espacial esteja melhorando, só dentro de alguns anos estaremos capacitados a monitorar o Sol com uma precisão suficiente para dizer com alguma certeza quão ativo será o ciclo solar. Por ora, no que tange a profecia, previsão ou mito, não existe uma forma física de dizer se a Terra será golpeada por alguma tempestade, muito menos um enorme evento em 2012. Mesmo que uma grande tempestade venha a nos assolar, tendo em vista o máximo solar que está previsto para 2012, tal jamais será um evento que cause extinção massiva. Sim, os satélites poderão ser danificados, provocando problemas secundários como perda do serviço global de GPS (o que poderia interromper o controle de tráfico aéreo, por exemplo) ou as redes energéticas nacionais poderão sofrer sobrecargas causadas por “electrojets” de auroras, mas nada mais extremo que isso.

    Mas espera aí! Para complicar esse problema, os profetas do apocalipse também têm afirmado que incrivelmente uma grande tempestade solar nos impactará justamente quando o campo magnético da Terra se enfraquece e se inverte, deixando-nos sem proteção ante os estragos de uma CME.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Quasares e Pulsares

  • Quasares
Quasar

    Um progresso estimulante aconteceu com a recente descoberta de objetos celestes que são verdadeiras fontes de rádio, são os chamados quasares. A palavra quasar vem da expressão inglesa “quasi-star” e significa, mais ou menos, “pseudo-estrela” ou “falsa estrela”; o nome se deve ao fato de que tais objetos parecem estrelas nas fotografias. Em 1963, o astrônomo norte-americano de origem holandesa Maarten Schmidt (1929-), no Observatório de Monte Palomar (USA), investigou o espectro de uma pálida estrela azul que fora identificada como coincidente com uma fonte de ondas de rádio. Surpreendeu-se ao descobrir, através de observações e cálculos matemáticos, que esse objeto deveria estar à bilhões de anos-luz de distância da Terra.

    Obviamente não era uma estrela comum. Alguns outros destes objetos têm sido descobertos, aparentemente a mais de 7 bilhões de anos-luz de distância. Para serem tão luminosos opticamente, deviam ser 200 vezes mais luminosos que as galáxias comuns. Alem disso, parecem ser muito pequenos, com um diâmetro de 1 ano-luz. Ninguém explica como quantidades enormes de energia podem ser produzidas. Existem dúvidas sobre suas verdadeiras distâncias e a energia envolvida em seu processo. Não existe ainda explicação plausível para a sua existência. O quasar 3C 273 foi o primeiro objeto de sua espécie a ser observado. Fica a 3 bilhões de anos-luz de distância. Parece estar lançando gás no espaço. Tanto a sua região central quanto o gás expelido, são fontes de ondas de rádio.

  • Pulsares
Pulsar sugando a energia de uma estrela

    Em 1967, foram registrados por astrônomos ingleses, sinais de rádio rápidos, como pulsações, com a regularidade de um relógio. Esses sinais, com períodos menores do que 1 segundo, vinham de estrelas que foram denominadas pulsares. As pulsações indicaram um objeto em rotação menor do que uma estrela anã branca, para ser capaz de girar tão rapidamente. O objeto responsável pelas pulsações é uma estrela de nêutrons, cuja existência fora prevista cerca de 40 anos antes. O pulsar mais conhecido está situado na região central da Nebulosa do Caranguejo (M1), na Constelação de Touro, onde os chineses observaram uma estrela supernova em 1054.

    Trata-se de uma estrela de nêutrons. Ela se apresenta como se estivesse explodindo. A sua variação luminosa foi transformada em pulsar, que envia um lampejo a cada 3/100 de segundo. Era difícil explicar a radiação de alta energia da Nebulosa do Caranguejo (M1), antes da descoberta deste pulsar. A emissão de ondas de rádio, por essa estrela de nêutrons, verifica-se a partir de uma zona perto do pólo magnético. Desse modo, o feixe de radiações atinge o observador de maneira intermitente. Os seus pólos magnéticos não coincidem com os de rotação. Uma estrela de nêutrons é mais densa do que uma estrela anã branca e tem apenas alguns quilômetros de diâmetro. Numa estrela de nêutrons, os elétrons foram impelidos para o núcleo do átomo, formando gás neutrônio, enquanto que a parte externa da estrela continua sendo uma camada rígida de nêutrons. Evidentemente, os pulsares constituem uma alternativa depois do estágio de estrela supernova, na vida evolutiva das estrelas.

Nuvem de Oort

Nuvem de Oort

    A nuvem de Oort é uma nuvem esférica hipotética de cometas que possivelmente se localiza a cerca de 50 000 UA, ou quase um ano-luz, do Sol. Isso faz com que ela fique a aproximadamente um quarto da distância a Proxima Centauri, a estrela mais próxima da Terra além do Sol. O cinturão de Kuiper e o disco disperso, as outras duas regiões do Sistema Solar que contêm objetos transnetunianos, se localizam a menos de um centésimo da distância estimada da nuvem de Oort. A parte externa da nuvem de Oort define o limite gravitacional do Sistema Solar.

    Acredita-se que a nuvem de Oort compreende duas regiões distintas: uma parte externa esférica e uma parte interna em forma de disco, ou nuvem de Hills. Os objetos da nuvem de Oort são compostos principalmente por gelo, amônia e metano e foram formados perto do Sol, nos primeiros estágios de formação do Sistema Solar. Então, chegaram às suas posições atuais na nuvem de Oort devido a efeitos gravitacionais causados pelos planetas gigantes.

    Embora não tenha sido feita nenhuma observação direta à nuvem de Oort, astrônomos acreditam que ela é a fonte de todos os cometas de longo período e de tipo Halley, e também de muitos centauros e cometas de Júpiter. A parte externa da nuvem de Oort é muito pouco influenciada pela gravidade do Sol, e isso faz com que outras estrelas, incluse a própria Via Láctea, possam interferir na órbita de seus objetos e mandá-los para o Sistema Solar interior. De todos os cometas de curto período do Sistema Solar, muitos podem vir do disco disperso, mas alguns podem ter se originado na nuvem de Oort. Apesar de que o cinturão de Kuiper e o disco disperso tenham sido estudados e observados, apenas quatro objetos transnetunianos conhecidos—90377 Sedna, 2000 CR105, 2006 SQ372 e 2008 KV42—são considerados possíveis membros da nuvem de Oort interna.

  • Outras Palavras
    Muito além da órbita de Plutão, a meio caminho da estrela mais próxima está o limite do Sistema Solar. Essa região, que se estende por cerca de três anos-luz, ou seja, a 30 trilhões de quilômetros do Sol, contém seis trilhões de pedras de gelo de diversas dimensões, recebendo o nome de nuvem de Oort, em homenagem ao astrônomo holandês Jan Hendrik Oort.

    Ele verificou que os cometas de longo período vinham de uma região situada de 20.000 a 100.000 UA do Sol e previu que o Sistema Solar era cercado por uma nuvem composta de bilhões de cometas. Até hoje ninguém viu a nuvem de Oort, essa gigantesca região esférica que abriga cometas e outros resíduos da nebulosa que deu origem ao Sistema Solar.

    Ninguém mediu seu tamanho, sua densidade ou contou o número de objetos que lá existam. Isso provavelmente não será feito num futuro próximo pois os corpos se situam a distâncias muito grandes e são muito pequenos para serem detectados pelos instrumentos existentes. Mas os cientistas têm certeza que ela existe. Ela é totalmente diferente das outras regiões do sistema planetário que contém restos da nebulosa que deu origem ao Sistema Solar. Enquanto os corpos do anel de asteroides, situado entre Marte e Júpiter, e do cinturão de Kuiper, situado logo após a órbita de Netuno, estão confinados às proximidades do plano da eclíptica, os da nuvem de Oort estão espalhados em todas as direções. É bem provável que exista maior aglomeração (5 trilhões) nas proximidades do plano da eclíptica e o restante (1 trilhão) espalhados aleatoriamente.

    Os cientistas estimam que a massa total de objetos na nuvem de Oort deva ser da ordem de 40 massas terrestres. Para explicar a variada composição química dos cometas os cientistas dizem que essa matéria deve ter se formado a diferentes distâncias do Sol e portanto em locais com diferentes temperaturas. A temperatura na nuvem de Oort deve ser de -269°C, ou seja, 4°C acima do zero absoluto.

    Nas profundezas dessa nuvem a ação gravitacional do Sol é tão fraca que os corpos estão sujeitos à perturbações devidas a estrelas que passem nas proximidades do Sol, a marés galáticas ou pela passagem do Sol por nuvens intergalácticas, e com isso se precipitarem na direção do Sol.

    Os cientistas ainda buscam resposta para algumas questões: por que tudo no Sistema Solar tem forma de disco e a nuvem de Oort é esférica? Se a ação gravitacional do Sol é inexistente a essas distâncias, por que os cometas caem na direção do Sol? A cada poucos milhões de anos uma estrela passa próxima do Sol; dentro de 1,36 milhões de anos a estrela Gliese 710 passará a um ano-luz do Sol.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cinturão de Kuiper

Cinturão de Kuiper

    Em órbita além de Plutão, que é o planeta mais distante do Sol, até o presente momento, existe o chamado Cinturão de Kuiper, formado por asteróides, também chamados de planetóides, e por fragmentos de rocha ou mineral, semelhante ao existente entre as órbitas de Marte e Júpiter. É formado por restos gelados de matéria interestelar quando da formação do Sistema Solar. Sua distância média ao Sol é de 50 UA (Unidade Astronômica = 150.000.000 Km), ou seja, 7.500.000.000 quilômetros e está situado no Plano da Eclíptica (plano equatorial do Sol). Este cinturão foi predito pelos cálculos do astrônomo norteamericano Gerard Kuiper (1905-1973), em 1951. Esta teoria reapareceu no início dos anos 70, quando simulações numéricas provaram que os cometas de longo período, provenientes da Nuvem de Oort (hipotética nuvem esférica que envolve o nosso sistema planetário), não podem ser capturados pelos planetas gigantes do Sistema Solar, para transformarem-se em cometas de curto período.

    Desde então, foram descobertos 56 asteróides candidatos a pertencerem ao Cinturão de Kuiper. O asteróide 1996TL66, descoberto em Outubro de 1996 por astrônomos nos Estados Unidos, é o objeto celeste mais brilhante já encontrado além de Netuno, depois de Plutão e Caronte. Possui um diâmetro de 500 quilômetros, aproximadamente 1/5 do diâmetro de Plutão, está situado numa órbita cuja distância média ao Sol 84 UA. Este novo asteróide parece pertencer a uma população de objetos dispersos, localizados entre o Cinturão de Kuiper e a Nuvem de Oort. A maior importância de sua descoberta está na alta excentricidade de sua órbita, que o leva de uma distância mínima do Sol de 35 UA a uma distância máxima de 130 UA. Sua descoberta sugere que o Cinturão de Kuiper se estende além de 50 UA, e que pode conter muito mais massa do que anteriormente se acreditava.

O Sistema Solar

Sistema Solar

    O sistema solar desde os primórdios da civilização foi um tema de curiosidade e estudo. Os antigos astrônomos olhando o céu, notavam que alguns pontos luminosos moviam-se no céu entre as estrelas e que durante o ano alteravam o seu brilho. Estes corpos com movimento errante foram chamados de Planetas, que significa estrelas viajantes.


    Estes corpos receberam vários nomes, dados pelos diferentes povos antigos: os egípcios, chineses, mesopotâmios, os gregos, romanos... No início as medidas realizadas para este estudo era pouco precisas e feitas muitas vezes de maneira indireta, utilizando a luz visível para realiza-las.

    Após a invenção do telescópio outros planetas foram descobertos: Urano (1781), Netuno (1846) e Plutão (1930), além de uma infinidade de outros corpos celestes, como os asteróides e cometas.

    No início do século 20 os cientistas descobriram outros tipos de ondas que como a luz fazem parte do espectro eletromagnético. Estas ondas no entanto apresentam uma série de vantagens em relação a luz, basta pensar no mau tempo ou no céu encoberto para realizar observações astronômicas.

    Em 1931 Karl Jansky, descobriu a presença de Ondas de Rádio que chegavam do espaço e interferiam nas comunicações na Terra. Esta descoberta marca o início da radioastronomia, uma técnica de observação tão importante quanto as observações astronômicas por telescópios, possibilitando o estudo de corpos celestes. As substâncias de que são feitos os planetas emitem ondas de rádio. E essas ondas, diferentemente da luz visível, penetram com facilidade na atmosfera terrestre e suas camadas de nuvens.

    Em 1957 com o início dos vôos espaciais, novos equipamentos indicavam a vantagem em utilizar outros tipos de ondas eletromagnéticas. Afinal com as viagens espaciais e o envio de sondas interplanetárias, muitos dos instrumentos a bordo foram projetados para estudar e medir com grande precisão as propriedades físicas e químicas da atmosfera e da superfície de planetas e mais recentemente do Sol, onde as condições do local na maioria das vezes não são nem um pouco favoráveis.

    No século 21 o conhecimento do sistema solar está crescendo de maneira surpreendente.

    O Sistema solar é composto de uma estrela comum, que nos chamamos de SOL e seus planetas; MERCÚRIO, VÊNUS, TERRA, MARTE, JÚPITER, SATURNO, URANO, NETUNO e PLUTÃO. Inclui também as Luas dos planetas, numerosos cometas e asteróides, meteoros e o meio interplanetário que é a região compreendida entre os corpos do sistema solar.