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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mitos 2012: O Planeta X não é Nibiru

  Tendo em vista os diversos alertas e notícias falsas sobre tragédias a ocorrer no ano de 2012 alegando o suposto ‘fim do calendário Maia‘, estamos postando uma série de artigos para desmistificar esses cenários apocalípticos impossíveis. Esse é o segundo artigo que fala sobre o suposto Planeta X e sua alegada associação com o hipotético planeta Nibiru.


Planeta X não é Nibiru!

  Os limites exteriores do sistema Solar contêm muitos planetas anões ou plutóides ainda a serem descobertos. Desde que começou a busca pelo Planeta X no início do século XX, a possibilidade da existência de um hipotético planeta a orbitar o Sol além do Cinturão de Kuiper tem alimentado muitas teorias apocalípticas e especulações, tentando saber se, na realidade, o Planeta X é de fato um irmão binário do Sol perdido há muito tempo. Mas, qual é a razão para se temer a combinação Planeta X/’fim do mundo‘? Não seria o tal Planeta X apenas em um objeto hipotético, desconhecido e nada sinistro?

  Como discutimos no artigo “2012: Não haverá Planeta X“, os falsos profetas do apocalipse têm vinculado a busca atual do Planeta X à antiga profecia Maia de 2012 e ao mítico planeta sumério Nibiru, culminando com péssimas notícias para o dia 21 de dezembro de 2012. Entretanto, as evidências astronômicas para estas ligações têm sérios erros.

Vejamos a seguir os fatos reais…

  Em 18 de junho de 2008, cientistas em Kobe, Japão, anunciaram (um deles um brasileiro, Patryk Lykawka) que sua busca teórica de um grande corpo no Sistema Solar exterior havia produzido resultados. A partir de seus cálculos, poderia existir um planeta, possivelmente um pouco maior que um plutóide, mas certamente menor que a Terra, orbitando além de 100 UA do Sol. Mas antes que fiquemos entusiasmados, este objeto não é Nibiru e isto não é uma evidência do final do mundo em 2012. Trata-se de uma nova e apaixonante evolução na busca de planetas menores além do Cinturão de Kuiper…

  Em uma nova simulação teórica, os dois pesquisadores de Kobe deduziram que os confins mais distantes do Sistema Solar podem conter um planeta ainda não descoberto. Patryk Lykawka e Tadashi Mukai da Universidade de Kobe publicaram um artigo no Astrophysical Journal detalhando a tese sobre um planeta menor o qual eles julgam que poderia estar interagindo com o misterioso Cinturão de Kuiper.

Os Objetos do Cinturão de Kuiper (KBOs)


Concepção artística de Sedna (NASA). Corpos massivos, como Sedna, orbitam além da órbita de Plutão

  O Cinturão de Kuiper ocupa uma enorme região do espaço e dista cerca de 30 a 50 UA do Sol. Contém um vasto número de objetos rochosos e metálicos, sendo o maior objeto conhecido como o planeta anão (ou “plutóide“) Éris. Há muitos anos desconfia-se que o Cinturão de Kuiper tem algumas características estranhas que podem assinalar a presença de outro grande corpo planetário orbitando ao redor do Sol além do Cinturão de Kuiper. Uma de tais características é a bem conhecida anomalia chamada de “Falésia de Kuiper” que ocorre a 50 UA do Sol. Isto corresponde a um final abrupto do Cinturão de Kuiper uma vez que poucos objetos foram observados além deste ponto no Cinturão de Kuiper (os KBOs). Esta “falésia” não pode ser atribuída a ressonâncias orbitais com planetas massivos tais como Netuno, e não parece haver nenhum erro observacional óbvio. Muitos astrônomos crêem que um corte tão brusco na população dos KBOs pode ser causado por um planeta ainda não descoberto, possivelmente tão grande como a Terra. Este é o objeto que Lykawka e Mukai estimam ter encontrado em seus cálculos.

Os maiores TNOs (Objetos Trans-Netunianos) conhecidos



  Esta pesquisa japonesa estima que um grande objeto, com 30-70% da massa da Terra, orbita o Sol a uma distância de cerca de 100 a 200 UAs. Este objeto pode também ajudar a explicar por que alguns KBOs e objetos trans-netunianos (TNOs) têm algumas estranhas características orbitais (como Sedna).

  Desde que se descobriu Plutão em 1930, os astrônomos têm estado buscando outro corpo mais massivo que pudesse explicar as perturbações orbitais observadas nas órbitas de Netuno e Urano. Esta procura se conhece como a “busca do Planeta X“, o qual literalmente significa “a busca de um planeta ainda não identificado”. Na década de 1980 estas perturbações se catalogaram como erros observacionais. Por tanto, a procura científica atual do Planeta X é a busca de um grande KBO ou um planeta menor. Embora o Planeta X pode não ser maior que a Terra, os investigadores ainda estão entusiasmados com encontrar mais KBOs, possivelmente do tamanho de um plutóide, o tal vez um pouco maior, mas não muito mais.

  “Para mim, o interessante é a sugestão dos tipos de objetos interessantes que podem estar ainda esperando a ser descobertos no Sistema Solar exterior. Ainda estamos arranhando os limites dessa região do Sistema Solar, e espero que nos esperem muitas outras surpresas em futuras investigações mais profundas”, afirma Mark Sykes, Diretor do Instituto de Ciências Planetárias no Arizona.

O Planeta X não dá medo
Suposta órbita do hipotético objeto chamado Nibiru do livro “The Twelfth Planet (O décimo segundo planeta)” do profeta do apocalipse Zecharia Sitchin (www.sitchin.com)


  Então como é que Nibiru entrou no jogo? Em 1976, um controvertido livro conhecido como “The Twelfth Planet (O décimo segundo planeta)” foi escrito por Zecharia Sitchin. Sitchin havia interpretado alguns textos cuneiformes sumérios antigos (a primeira forma conhecida de escrita) como uma tradução literal da origem da humanidade. Estes textos de 6.000 anos de idade revelam aparentemente que uma raça alienígena conhecida como Anunnaki viajou para a Terra em um planeta denominado Nibiru. É uma longa e complexa historia, mas para abreviar, os Anunnaki se modificaram geneticamente os primatas da Terra para criar o homo sapiens para os transformarem em seus escravos. (Acabo de compreender de onde veio provavelmente o roteiro do filme Stargate de Kurt Russell em 1994).

  Quando os Anunnaki deixaram a Terra, nos permitiram governar o planeta hasta que retornassem. Tudo isto parece ser um pouco fantástico, e tal vez demasiado detalhado considerando-se uma tradução literal de unos textos de 6.000 anos de idade. O trabalho de Sitchin tem sido ignorado pela comunidade científica dado que muitos de seus métodos de interpretação são considerados como meramente imaginativos. Entretanto, muita gente tem tomado o trabalho de Sitchin literalmente, e crêem que Nibiru (em sua órbita altamente excêntrica ao redor do Sol) retornará possivelmente em 2012 para causar todo tipo de terror e destruição na Terra. É importante apontar que aqui não estou colocando em questão nenhuma evidência histórica, espiritual ou arqueológica de Nibiru, simplesmente estou apontando que o vínculo entre a teoria do ‘fim do mundo‘ do Planeta X em 2012 está baseado em “descobertas” astronômicas muito duvidosas. Se este é o caso, como se pode considerar o Planeta X a personificação de Nibiru?

  Em 1984, chegou enfim a “alegada descoberta de uma anã marrom no Sistema Solar exterior” por parte do IRAS e o “suposto anúncio da NASA de um planeta de 4-8 massas terrestres viajando até a Terra” em 1993. Os profetas do apocalipse (que andam sempre acompanhados de um livro para nos vender) se agarraram nessas hipóteses astronômicas alegando que são provas de que Nibiru é de fato o famoso Planeta X, aquele que os astrônomos têm procurado arduamente durante o último século. Não apenas isso, manipulando os fatos destes estudos científicos, eles “demonstraram” que Nibiru está viajando na nossa direção e em 2012 este corpo massivo passará através do Sistema Solar interior, causando todo tipo de danos gravitacionais. Para maiores detalhes sobre este tema leia “2012: Não haverá Planeta X “.

  Em sua forma mais pura, o Planeta X é teoricamente um possível planeta desconhecido que orbita pacificamente além do Cinturão de Kuiper. Se o anúncio dos cientistas de Kobe, Japão, nos leva a observação de um novo planeta ou plutóide, tal achado será uma descoberta incrível que ajudará a entender mais sobre a evolução planetária do Sistema Solar e as características dos misteriosos limites exteriores do Sistema Solar.

  Posso garantir que os profetas do apocalipse já estão adaptando esta nova investigação para usá-la como apoio de suas teorias sem sentido de que o Planeta X é de fato Nibiru, e que esse objeto virá em nossa direção em 2012. Por que será que temos o sentimento de que ainda seguiremos aqui discutindo sobre o Planeta X em 2013?

Perguntas e respostas sobre o mito de Nibiru e o fim do mundo em 2012

  Committee for Skeptical Inquiry (inglês): The Myth of Nibiru and the End of the World in 2012

  David Morrison é cientista do Instituto de Astrobiologia da NASA, onde, entre outras responsabilidades, responde as perguntas recebidas via internet “Pergunte a um astrobiólogo“. Morrinson é membro do Comitê de Investigação Cética (CSI – Committee for Skeptical Inquiry) e autor de numerosos livros e artigos. Morrison é um dos homenageados com a Medalha Carl Sagan da Sociedade Astronômica Americana por suas contribuições à compreensão pública da ciência.

AstroPT: 2012 – Fim do Mundo

4 comentários:

  1. Eu acho que tem um planeta com uma parte de gelo a outra parte de sol

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  2. é ótimo ver que tem alguém fora dessa loucura, tentando colocar o pé das pessoas no chão. Meu sobrinho já falou até em se matar por conta dessa história apocalíptica.

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  3. Quanto ao Fim do mundo não se preocupem, só a própria humanidade pode fazer isso com energia nuclear num mal uso,ou com a morte de nossa estrela local.Já a Existência ou não de vida inteligente fora da galáxia, ninguém aqui da Terra pode dizer..

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  4. Apesar que respeito o raciocínio de quem não acredita, vai lá saber né?, mas eu acredito que é mais difícil só aqui ter vida do que num universo incomensurável grande ou infinito, não ter. ^_^

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